Bernadskiy vence a 19.ª edição do Torneio Internacional da Figueira da Foz

O Grande Mestre ucraniano Vitaliy Bernadskiy sagrou-se vencedor da 19.ª edição do Torneio Internacional da Figueira da Foz – Sabir Ali.

A precisar de vencer na última ronda para garantir o título, Bernadskiy enfrentou o Mestre Internacional português André Sousa, que assinou uma excelente prestação e terminou como o melhor português em prova, alcançando o 7.º lugar da classificação geral.

Com apenas 30 anos, Bernadskiy tem vivido nos últimos anos de torneio em torneio, de hotel em hotel, resistindo estoicamente às dificuldades de uma vida deslocada e à sombra da guerra no seu país. A vitória final na Figueira da Foz foi conquistada com enorme solidez e um xadrez de grande qualidade. Parabéns ao vencedor — e que a paz possa, em breve, ser a vitória maior.

Em 2.º lugar ficou o agora Grande Mestre indiano Harikrishnan, cujo título foi oficialmente publicado durante o torneio. O jogador realizou uma campanha brilhante e fechou a prova com uma vitória convincente frente à Grande Mestre Feminina Nino Maisuradze, a melhor entre as mulheres nesta edição. Contudo, o empate na 7.ª ronda frente ao compatriota Rathanvel (4.º classificado) acabou por lhe retirar a possibilidade de lutar pelo primeiro lugar.

A fechar o pódio, em 3.º lugar, ficou o polaco Radoslaw Psyk, que assinou um torneio notável e garantiu ainda uma norma de Mestre Internacional, um marco importante na sua carreira só possível pela alta qualidade do torneio da Figueira da Foz.

Esta edição voltou a confirmar o estatuto da Figueira da Foz como um palco privilegiado do xadrez nacional e o seu prestígio a nível mundial. Duas dezenas de países estiveram representados, transformando a cidade num espaço vibrante de encontros culturais, diversidade e competição ao mais alto nível. Apesar disso, o torneio ficou também marcado por um episódio lamentável: a recusa de vistos por parte de consulados portugueses a vários jogadores indianos, incluindo jovens talentos já habituais neste evento.

Entre partidas intensas, convívio e a beleza, hospitalidade e encanto figueirense, cerca de cem participantes regressam agora aos seus países levando consigo esse encanto da cidade, o ambiente único do torneio manifestando todos eles o desejo de aqui voltar.

Agora que os tabuleiros são arrumados e os relógios silenciam, até ao próximo ano em que o tempo voltará ser contado nesse universo de 64 quadrados fica a esperança que, na próxima edição, todos os jovens, e menos jovens, talentos que que aqui queiram jogar o possam fazer livremente sem serem marginalizados pela cor da sua pele ou o país onde nasceram.

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